Só.

Quão bem ou mal isso pode me fazer?
Tudo o que eu temia sentir de novo tem voltado à tona quando penso em você
Está tudo acontecendo tão depressa que já não consigo controlar minha própria respiração
Estou suando por todos os poros e nem sequer estamos no verão
Tem flores brotando no concreto onde quer que eu vá
E uma nuvem de borboletas no meu estômago me pressionando pra voar
Eu estou com medo de ser rápido demais e tirar meus pés do chão
Saltar de cabeça e mergulhar fundo demais no seu recém ferido coração

Eu não possuo outros interesses mas também não tenho certeza se quero continuar aqui,

Só.

Roger Gustavo (Elétron) / coracaoaflordapele.wordpress.com

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Alheio por questão de ordem

Descalço no piso
Esconde o sorriso
Prende a respiração
Hoje quem vem é solidão
Pra conversar

Sozinho no canto
Escravo do pranto
Ninguém foi lhe chamar
Pra dizer “Olá…Bom dia, como está?”

Tentar não sucumbir

Não deixa o homem de bem
Pegar o Zé Ninguém
Ele quer acorrentar… pra depois sangrar
A carne mais barata do mercado

Queria uma cama mais dorme no chão
Ali não tem água só resto de pão
Queria coberta mais é papelão

Não abaixa a cabeça pros olhos do cão

Rafael Garcia / rafanigh@hotmail.com

Quase soneto da Estagiária

– Havia uma placa bem aqui. Ontem!
– Havia, já não há mais. A vaga ocupada
Foi – Mas já? – A vaga aproveitada
por outro foi – Mas como? Você nem
viu tudo que meu currículo tem.
Agora minha graduação acabada,
minha habilidade preparada
para as oportunidades que vêm.
Deixe-me mostrar o que ele tem,
em alguma vaga serei encaixada.

-Você não é a única, outros também
tentaram entrar nessa vaga, mas
escute bem: não é ser capaz
suficiente para entrar. Alguém,
esse, suas indicações ele traz.
Senão, você não vai entrar jamais.

Lucas Juliano / cotidianofantastico.wordpress.com

E ALÉM

Uma excitação incontrolável
Seguido por um carinho imensurável
Compõem a fundação
De um momento extasiado

A somatória dos elementos
Suga todo o ar de seus pulmões
Um silêncio palpável
Que desacelera o próprio tempo

E nessa sobrecarga de emoções
Uma parcela lúdica, divina
Transborda do barco de seu olho
E cai.

Enfim voltou a respirar
E se encontra sorrindo
Pois aquele momento
Sempre será infindo.

Itamar Spira / blogdoitamario.blogspot.com.br

Bela e Selvagem

Em alguns momentos de insanidade
Deparo-me com a suavidade da vida,
Com os brilhos das estrelas
E com inocência das crianças e animais.

São nesses momentos, de pura loucura marginal,
Que aprendo que o sentido da vida é sobreviver,
Lutar contra as adversidades que nos é imposta,
À nós, todos os seres vivos.

Muitos me falarão que sou alienado.
Mas, pelo contrário, me inalieno do mundo
E percebo a sutileza e equilíbrio caótico do Cosmos,
Desse universo brilhante e escuro do qual surgimos.

O amor que sinto vem crescendo estonteante
E livre, ele caminha fora do alcance da possessão.

Se é no sofrimento que encontramos a verdade,
É no próprio sofrimento, que buscamos nossa serenidade.

É preciso imaginar um lugar onde todos possam desfrutar:
Do mundo, do amor, da paz, da ciência e da própria vida,
Bela e selvagem.

Lucas Faustino – Sonhos Inacabados