E ALÉM

Uma excitação incontrolável
Seguido por um carinho imensurável
Compõem a fundação
De um momento extasiado

A somatória dos elementos
Suga todo o ar de seus pulmões
Um silêncio palpável
Que desacelera o próprio tempo

E nessa sobrecarga de emoções
Uma parcela lúdica, divina
Transborda do barco de seu olho
E cai.

Enfim voltou a respirar
E se encontra sorrindo
Pois aquele momento
Sempre será infindo.

Itamar Spira / blogdoitamario.blogspot.com.br

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Universos Paralelos

Ato um.

A escada rolante desliza suavemente sob meus pés. Eu observo.
O mundo passa, sem que eu tenha que sair do lugar.
Vou tentando guardar ao menos um detalhe de cada um dos milhares de rostos, sem nome, endereço ou telefone, que passam por mim. Incapaz que sou me entristeço sabendo que esses são apenas rostos dos quais não me lembrarei amanha.
Elas passam e não me veem.
Eu as vejo mas não as guardo.
Todas elas são minhas almas gêmeas em potencial, cada uma delas. Como saberei se seria aquele primeiro ou o segundo, ou quem sabe o último a passar? Pois naquele único momento fugaz nossos olhares não se encontraram e por isso, essa simples fatalidade do destino, nós nunca saberemos. Minha alma gêmea é então apenas mais um rosto que passou por mim, pela escada rolante que vinha em sentido contrario ao meu, totalmente paralelo, sem nunca poder me encontrar.

Ato dois.

Nossos olhares se cruzaram. Eu vi. Você me viu.
Eu quis ir até você e te dizer o quanto eu sentia e se isso eu fizesse, então você me diria que sabia.
Mas eu não vou e você não vem, mas nós continuamos a nos ver. Vejo em você, vejo dentro de você e além.
Se por ventura estamos no mesmo lugar de uma maneira ou de outra nossos olhares sempre vão se encontrar no mesmo momento e essa faísca brilhará. É sempre assim, meu coração, seu coração, a disparar.
Ah o amor.
Você me puxa pra dançar, eu deslizo no pátio, que se transforma em um salão, todos ao redor se desfazem em fogos de artificil para o céu iluminar. Me faz feliz, sorrio, te olhar nos olhos, sentir teu braço na minha cintura e tua mão na minha mão, valsa a dançar. Girar, sorrir, girar entre o sorrir e o sorrir entre os girar. Isso tudo acontece em um único olhar.
Ninguém viu, ninguém mais sentiu, mas eu sei que tu sabe. Sabemos nós dessa fugaz visão.
Espero o momento de te dizer, esperando no seu rosto ver a expressão de cumplicidade do  “EU SEI!”
Acordo cedo e feliz, o grande dia chegou. Hoje iremos dançar e sorrir, sorrir e abraçar. Te direi com um toque o que já te disse com um olhar.
Enfim quando te vejo, oh meu deus que triste fim. Por ironia do destino, esse com vontade de rir de mim, me põe você em minha frente, outra à beijar, feliz assim.”

Aline Valéria Sousa – aline.valeria.sousa@gmail.com

Bela e Selvagem

Em alguns momentos de insanidade
Deparo-me com a suavidade da vida,
Com os brilhos das estrelas
E com inocência das crianças e animais.

São nesses momentos, de pura loucura marginal,
Que aprendo que o sentido da vida é sobreviver,
Lutar contra as adversidades que nos é imposta,
À nós, todos os seres vivos.

Muitos me falarão que sou alienado.
Mas, pelo contrário, me inalieno do mundo
E percebo a sutileza e equilíbrio caótico do Cosmos,
Desse universo brilhante e escuro do qual surgimos.

O amor que sinto vem crescendo estonteante
E livre, ele caminha fora do alcance da possessão.

Se é no sofrimento que encontramos a verdade,
É no próprio sofrimento, que buscamos nossa serenidade.

É preciso imaginar um lugar onde todos possam desfrutar:
Do mundo, do amor, da paz, da ciência e da própria vida,
Bela e selvagem.

Lucas Faustino – Sonhos Inacabados

Períodos da História da Arte

História da Arte | Períodos

– Texto do aluno Iago Dias Calegari:

        Por mais destaque que a história da arte parece ter por si só, adquirindo, por vezes, uma aura toda especial, ela é imanente à história das realizações humanas em geral. A história da arte vai tratar do desenrolar histórico das formas de expressão artística do homem – seus sentimentos, opiniões, contestações etc. –; surge como fruto de interpretações contextuais por indivíduos artistas ou mesmo a tentativa destes transferirem às suas criações seus mais profundos sentimentos, observados num mesmo período, em que havia proeminência de determinadas hegemonias socioculturais e ideias que se sucediam na tentativa de interpretar o mundo e o ser – aqui percebemos a arte em forte elo com a filosofia, que de fato existe, sobretudo no estudo da estética, em que a sensibilidade é adotada como objeto de reflexão. A divisão da história da arte é realizada em a) épocas ou períodos e b) estilos e movimentos. Importante ressaltar que, numa mesma época, poderiam coexistir mais de um estilo e/ou movimento artístico em atividade, por isso a história da arte busca atentar-se primariamente àqueles estilos e movimentos que tiveram certa proeminência em relação aos demais num determinado espaço de tempo e espaço; a mudança de proeminência não se tratava de um processo radical e objetivo, mas sim de um aumento gradual do interesse social por outro estilo já em atividade – algumas vezes dotado de postura diametralmente oposta ao estilo que sucedeu.

        Essa passagem inicial do texto, como todo o seu conteúdo, busca ter caráter apenas introdutório ao que consiste a história da arte, abrindo espaço de reflexão na mente do leitor incitando eventual pesquisa mais aprofundada acerca do tema; um despertar inicial para que se faça mais clara a compreensão dos elementos que serão explanados a seguir. Havendo maior interesse do leitor em aprofundar seus conhecimentos, coloca-se o autor à disposição para indicação bibliográfica e esclarecimento de dúvidas, dentro de suas possibilidades.

Periodização da História da Arte

        Como já discorrido, a história da arte é imanente à história geral, sobretudo quando observado que os eventos desta última influenciam direta ou indiretamente nos eventos da primeira. Porém, a divisão da história da arte se diferencia um tanto da de sua entidade maior, por assim dizer, buscando dar mais enfoque às diferentes manifestações materiais da humanidade, cuja temporização tem se mostrado um tanto distinta, em maior ou menor grau, da história geral.

        Para dar início à compreensão da história da arte serão apresentados sucintamente os grandes períodos em que esta se divide primariamente, e dentro dos quais se podem encontrar os inúmeros estilos, escolas e movimentos artísticos. São eles: (a) Pré-história; (b) Idade Antiga; (c) Idade Média; (d) Idade Moderna; e (e) Idade Contemporânea.

a) Pré-história: é quando surgem os primeiros artefatos para suprir necessidades funcionais, e que podem ser considerados artísticos, na Idade da Pedra (cerca de 25000 a 8000 a. C.). Os homens, inicialmente vivendo em pequenos grupos nômades e, posteriormente, em cavernas e cabanas, começam a desenvolver a agricultura e passam a adotar um modo de vida mais sedentário; a partir desse processo as sociedades tornam-se mais complexas, e as primeiras religiões começam a ganhar proeminência, bem como a significação da arte, cujas obras passam do caráter estritamente utilitário, consistindo na fabricação de instrumentos para caça e outras atividades de subsistência, para abarcar objetos iconográficos de culto religioso, em que se pautavam crenças e costumes. Esse período é subdividido em Paleolítico, Mesolítico (em algumas regiões), Neolítico e Idade dos Metais.

b) Idade Antiga (cerca de 4000 a. C. a 300): conta-se a partir do surgimento das primeiras cidades e da invenção da escrita (cerca de 4.000 a. C.); é tomado que as manifestações artísticas ocorreram, neste período, em todas as culturas de todos continentes. A principal divisão entre as manifestações artísticas tem cunho regional, que resultou do desenvolvimento de diferentes sociedades, e, portanto, os estilos carregam as mesmas denominações que essas sociedades. São elas a arte do Egito, da Grécia, da Mesopotâmia e de Roma.

c) Idade Média (cerca de 300 a 1350): as manifestações artísticas proeminentes neste período sofreram forte influência da arte romana e da religião cristã, então oficial do Império Romano. As formas clássicas são trabalhadas de modo que expressasse a interpretação da doutrina religiosa, logo pulverizando-se numa série um tanto plural de escolas e movimentos regionais, onde surgiram formas mais esquemáticas e, em alguns casos, mais simplificadas. Têm destaque as artes Celta, Bizantina, Românica e Gótica.

d) Idade Moderna (cerca de 1350 a 1850): quando acontece a expansão esplendorosa da cultura artística na Europa, em que a religião perdeu espaço para o antropocentrismo – o homem no centro do pensamento – e um maior cientificismo, que tinha por objetivo atingir concepções do homem e do universo através da investigação racional, no chamado sistema humanista. As manifestações artísticas são inspiradas, sobretudo, na arte greco-romana e pautadas na observação científica da natureza. Os estilos e movimentos de maior preponderância foram o Renascimento, o Maneirismo, o Barroco e o Rococó; no fim deste período, surgem o Romantismo e o Neoclassicismo.

e) Idade Contemporânea (desde 1850): a partir da metade do século XIX são sedimentados os alicerces do que entendemos por sociedade contemporânea. Ocorreram aí o fim do absolutismo e a instituição de governos democráticos, o advento da Revolução Industrial e perpetuação do Capitalismo como sistema político, social e econômico dominante, bem como os movimentos que o contestavam, caso do socialismo. As manifestações artísticas do período, que se estende até a atualidade em que vivemos, tiveram e têm imensa diversidade expressiva, em que tomaram forma correntes que se diferiam, e diferem, em maior ou menor grau, cada uma com seu conjunto de ideias e leitmotiv próprio, cuja interpretação varia, inclusive, na expressão de cada artista. Ainda no século XIX surgem o Realismo, Impressionismo, Simbolismo e Pós-impressionismo. No século XX, quando a democracia se assentou em base sólida assegurando a liberdade de manifestação de ideias e contestações, surgiram fortes correntes que propunham a criação de novos paradigmas sociais e culturais, em detrimento de tudo o que fosse tradicional e convencional, questionando as antigas bases da arte, as chamadas vanguardas. A sucessão de estilos e movimentos passa a acontecer com cada vez mais velocidade, bem como fragmentações, fusões e coexistências, que dialogam entre si, se contrariam, se completam; a importância do espectador cresce cada vez mais, sendo em inúmeras ocasiões retirado de sua posição unicamente contemplativa e integrado à realização da obra artística. Dentre as correntes mais proeminentes do século XX, devemos citar: o Abstracionismo, o Expressionismo, a Art Nouveau, o Fauvismo, o Pontilhismo, o Cubismo, o Futurismo, o Dadaísmo, o Surrealismo, o Funcionalismo, o Construtivismo, o Informalismo, a Pop Art, o Neorrealismo, a Arte Performática, a Instalação, a Videoarte, a Op Art, o Minimalismo, a Arte Conceitual, o Fotorrealismo, a Land Art, a Arte Povera, a Body Art, o Neoexpressionismo e, representativa da arte de nossos dias, a então Arte Contemporânea.

        Tendo ciência dessa divisão temporal primordial da história da arte, através da visão panorâmica oferecida pelo texto – buscando ser conciso, pois, como já mencionado, tem caráter introdutório –, pode-se partir para uma exploração mais detalhada dos estilos constituintes de cada período; mesmo no interior desses períodos é possível encontrar subdivisões temporais que permitem maior acuidade analítica, proporcionando maior compreensão do todo através de exame minucioso de suas partes. E, portanto, o passo seguinte para estudar história da arte consiste nessa constante análise de pormenores – subdivisões temporais, estilos, escolas, movimentos – levando em conta, sempre, o contexto em que aconteciam do ponto de vista da história. Com o tempo, e com os avanços da perscrutação da disciplina, será naturalizado um pensamento reflexivo cada vez mais intenso e sagaz acerca da observação material da vida que levamos e de suas representações, e através dessa capacidade de ver analiticamente, o acaso visual vai desvanecendo.

Publicação original: História da arte – Períodos (Scribd)

Iago Dias Calegari: fb.com/calegarimag