Literatura

Textos da 5ª edição:

 

Verbete “amor”, década de 10

Um dia um fio de ternura passou por mim
Calou o firo
E resolveu que nunca mais minha espinha
-Cheia de manias
Seria rinha de desilusões
Autocomiseração?
Não, regime! Nunca mais comilança de cora-ções!
Agora, só porções pequenas (gourmet!)
Vindas de food truck
Feitas por máquinas
E degustadas já no estômago
Chega de tanto sol nos meus poros
Agora só ton-I-ficação!

Eduardo Couto / educouto2@hotmail.com

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Gripado

O coração está sempre acelerado.
O olhar está sempre faminto.
Os braços sempre abertos.
A boca leva algum cuidado.
A maquiagem é exagerada. Quase que como uma criança em seu primeiro contato com pinturas.
O nariz é vermelho. Como uma pessoa com gripe.
Este corpo tenta -inutilmente- traduzir o que passa
Dentro do Nariz Vermelho.

Magia para uns, verdade para outros.
Um problemão que te ajuda a se esquecer de outros problemões.
Uma falta preenchida com um som de uma gargalhada.
O sorriso inocente de quem já não tem tantos motivos pra sorrir assim.
A vida. Pulsante. Na ponta de um nariz vermelho de sangue…
De amor.

Não é só sobre dar, é sobre multiplicar
Até não caber em você.
Até o mundo ficar mais cheio de cor.
Estão todos gripados
Doentes, contaminados Com vírus do calor, da paz e da esperança
Contaminados com o amor, o sorriso e o olhar de uma criança.

Beatriz Zago / bzm_96@hotmail.com

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Extinção

Silêncio.
É madrugada.
Olho pela janela mais uma vez – e nada.
Busco alguma coisa… mas não sei o quê.
Quem será que vive ali naquela janela que está acesa?
E naquela outra?
Será que escrevem poesias?
Se eu gritar, será que vão me escutar?
Eu aceno – nada.
Procuro do lado de fora da janela, mas vejo que a falta está em mim.
Forte palpitação.
A dor dos momentos irrecuperáveis, as memórias bagunçadas, o passado desalinhado…
de fora da janela não há nada.
O mundo já não é mais o mesmo de anos atrás.
Nada de mim restou nessas ruas, nesse ar, naquela janela…
Existe uma dor que consola nas madrugadas frescas.
Triste coisa saber que o mundo não tem mais jeito.
Tem alguém chorando em cima da árvore!
Perguntei se queria ajuda – nada. “Nada”, repeti.
Silêncio.
É madrugada.
A raça humana dorme em paz.

Felipe Ribeiro / chicoliro@hotmail.com

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Conto de fatos

Não havia macarronada a luz de velas
Não existia príncipe e nem cinderela
Nenhum monstro pra uma bela
Era apenas você e eu
Não havia maçã pra ser mordida
Não tinha agulha de roca ou agonia
Nenhum feitiço pra ser quebrado
Era apenas nosso medo de dar as mãos
Não havia um triste começo
Não tinha nem um final feliz
Nenhuma história pra ser contada
Era uma vez, e só.

Roger Gustavo / fb.com/isgus

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Sabiá Odioso

Minha terra tem palmeiras,
onde canta o Sabiá.
Minha rua tem uma ave,
que não pára de cantar.
Deus, meu sono salve,
pois passarim quer piar.
Maldito, desgraçado,
vou deixá-lo empalhado,
que vontade de lhe matar!
Da uma às cinco da matina,
nesse canto que alucina,
e não tem como parar.
Vou logo ao Ching-ling
pra comprar um estilingue
e meu sono acalmar!

Marco Antonio Soares /
marcosoaresjr@hotmail.com

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Cavalo Marinho

Mar imenso
Vida cheia
Bento mar, vento, areia
Vem de dentro
Barriga Cheia
Ventre pleno
Ribanceira
De ar, de ar o peito anseia
E eu a cor e a correnteza
De dentro saem e dentro ficam
Fora a cor, foi-se a certeza
Em mim a dúvida, neles beleza
Nascidos fora e dentro
De cá um pai, de lá rebentos

Luiz Henrique Santana
santana.luizhenrique@yahoo.com

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Sonho de voar

Sonhos de Voar II

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Certezas…

Talvez, o mundo se exploda,
a vida se acabe e tudo morra.
Talvez, nada aconteça…
o tempo passe com apenas uma certeza.
Talvez, a vida seja,
nada além de momentos e queixas.
Talvez, amanhã não aconteça,
a solidão apareça e a tristeza me queira.
Talvez, o amor floresça,
sob um sol ensolarado com nuvens ao seu lado,
sentindo o momento sem entender o sentimento.
Talvez, um dia a gente cresça,
olhe para a janela e veja,
nossos filhos correndo pelas cerejeiras.
Talvez, a vida aconteça,
e calmamente a gente passe a ter certeza,
que a vontade de viver,
é ter amor pra dar, receber
e fazer acontecer.

Jonathan Nobre / arj.nobre@uol.com.br

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No embalo da rede

A rede é o nosso casulo e a nossa metáfora. É aconchegante, é simples, num balanço fácil, ora dá aquele frio na barriga, ora é só calmaria. Expulsa o tédio e embaraça os cabelos. E assim começa o meu ano. Eu não podia pensar em nada mais acolhedor e seguro. É tanto, que faz perder o fôlego, do jeito bom, aquele que você perde a respiração por trinta segundos, enquanto o coração salta na garganta e com os olhos fechados você viaja no perfume alheio e esquece que está vivo. É paralisia. É dormir nos braços o melhor sono que você pode se lembrar, é perder o olhar na esquina e já morrer de saudades.

Bruna Tassinari / aluna / brubstassinari@hotmail.com

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Textos da 4ª edição:

 

O Eu Inspirado

Inspiração me coa
Me passa num filtro
Palavras passam
E o ruim ficou pra trás
Inspiração me usa Me tira da realidade por minutos
E me põe a escrever sem temer
Inspiração me rasga Me tira o senso
Entra e sai quando quer
Inspiração me engana
Aparece às vezes
Sem lugar marcado
Depois some e não avisa quando volta
Ainda assim,
Inspiração, te peço: Fica!

Raquel Ribeiro Rios / Aluna fb.com/raquel.rios.923

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Ficção

Em um dia frio, a moça decide ir a pé para a faculdade. O dia está ruim, a semana está ruim, o mês – o ano inteiro tem sido péssimo. Os antidepressivos nunca fizeram muito efeito e ela já está perdendo as esperanças. Vai caminhando mecanicamente, sem nem pensar no ca-minho. Já está cansada de tentar encontrar uma maneira de se sentir bem, feliz, viva. Nada funciona. Após alguns minutos de caminhada, avista um homem aparentando uns 60 anos de idade sentado no chão, todo esfarrapado, muito magro e com o semblante tristonho. Sente-se culpada por ser tão infeliz mesmo tendo casa, comida, roupa lavada e saúde; mesmo cursando nível superior; mesmo não sendo considerada por todos uma pessoa vagabunda e preguiçosa.
Então, sem que perceba, para na frente do tal homem e fita-o com um olhar de piedade. Ou seria de empatia? Talvez as duas coisas. Pensa em dar-lhe uns trocados, mas sabe que isso não mudaria nada. Lembra-se do lanche que carrega na mochila. Finalmente percebe que está ali parada a observar o homem e vê que ele também a observa (provavelmente intrigado com o fato de não ser invisível para ela). Ele tem o olhar apreensivo e ao mesmo tempo distante. Como se um lapso de esperança lhe tivesse acometido e desaparecido no instante seguinte.
A jovem se aproxima, senta-se ao lado do velho e lhe entrega o lanche que estava na mochila. Hesitante, ele aceita a gentileza, murmura qualquer coisa parecida com um “obrigado” e começa a comer. Ambos quedam-se ali por alguns minutos, pensativos. Ela se perguntando por que nunca havia feito aquilo antes em sua vida; ele sentindo-se grato e ao mesmo tempo miserável, por depender de favores de desconhecidos para permanecer vivo. Um não sabe o que se passa na cabeça do outro, porém tal momento faz com que sintam-se um pouquinho mais vivos. De alguma forma, eles se ajudam.
O homem finaliza a refeição e novamente agradece. A moça se levanta e, antes de ir embora, retira seu cachecol e o entrega ao velho. Aquilo sim o surpreende, pois ele permanece imóvel por alguns segundos antes de recolher o presente com um aceno de gratidão. A jovem se retira e retoma seu caminho.
Sem que percebam, ambos sorriem.

Cristiane dos Santos Costa / Aluna— outratrama.wordpress.com

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Amortifico

E tanto mais que eu penso em você
Percebo que esqueceu um pouco de mim
E quando te lembro que estou por aqui
Meu coração correu um pouco pra lá
Eu não sei onde terminaremos enfim
Mas foi bom ter arriscado começar
Eu perco fácil pra que vença de mim
O mais difícil é te perder sem lutar
Vão se as horas, os dias e os anos
E eu continuo tentando de novo amar
Quem não me tem dentro dos planos
Em que me retiro sem sequer entrar.

Roger Gustavo / Aluno — fb.com/isgus

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Contraste
Uma visita indesejada a cada quatro anos.
Cheios de onças e garoupas estampadas,
Cada vez mais cartazes,
Cada vez mais promessas sem dizer nada.
Sem servos vassalos nunca seriam senhores feudais,
Sua morte não chegou às terras tupiniquins,
O feudo agoniza na ditadura militar.
Fermento não faltou no bolo,
Porém aqueles que tiveram o trabalho de prepara-lo,
Nunca tiverem direito de usufrui-lo.
Asfalto e Água encanada são coisas de outro mundo,
O único aparato é o policial.
No país em que meritocracia se confunde com herança,
O sorriso é a única coisa digna de confiança.

Vitor Mateus Duarte / Aluno
driblandoarealidade.blogspot.com.br

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Gabrielando e subtraindo

Poetas não são feitos para amar
Poetas não são feitos para
Poetas não são feitos
Poetas não são
Poetas não
Poetas
Poetas amam.

Gabriel Carniel/ Aluno
gabrielforestocarniel@gmail.com

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Tragédia

Aposto-te apóstata
afasto-te e frustro-me
Afago-te, afogo-me
Alastro-me à lástima

Alijo-me à lógica
anima-me o mínimo
e lépido à lápide
elejo-te. Fim.

Ric Fran/ Aluno
fb.com/RicFranFake

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É nosso inimigo, nas horas que menos o desejamos.
É nosso amigo, nos segundo mais relativos.
Era para estar aqui, não está mais.
Pudesse estar, queria que estivesse e esteve.
Já foi, ficou, deixou de ser e é.
Amante, colega, companheiro.
Gerou-me, deixou-me ser.
Onde está?
Aqui está?
Deixou de estar aqui.
Para estar logo ali.
Ou por ai.
Saudades de ti.
E por ti perecerei.
Ô, tempo, seu acalentador.
Criador e devorador.
– Chronos –

Edgard S.R. Oliveira / Aluno
edgard057b@hotmail.com

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“Quem é você? Você é aquele(a) que agora me cumprimenta ou existe uma outra personalidade oculta? O que você me deixa ver? Apenas seus olhos, um pouco da face… Mas e o outro lado? Não acredito em simetria. Não, ela não existe. Os dois lados do rosto não são iguais, assim como as nossas personalidades também não são. Em um dia se acorda feliz, mas basta um acontecimento para que a outra personalidade assuma e de repente você já é outra pessoa, aquela que não era há 5 minutos. E não se trata de transtorno bipolar. Somos assim. Somos inconstantes, diferentes, mutáveis. A monotonia não nos satisfaria. Quer dizer, tal-vez alguns se satisfaçam em fazer tudo sempre igual sempre. Cabe a você decidir o que quer mostrar e a quem. O que tenho visto muito por ai nos dias de hoje são pessoas que dizem estar sorrindo, mas por dentro estão tristes. Isso é apenas possível por que temos duas personalidades: a que mostramos e a que sentimos. Nós, como pessoas, somos o resultado da somatória das duas, vencendo a que for mais forte. E geralmente é a de dentro. Mostrar ou não mostrar? Abrir ou não abrir? Em um mundo onde tudo é “vendível”, temos medo de nos abrirmos e acabarmos vendidos. Por outro lado, se não nos mostrarmos acabamos “rendidos” pela própria solidão. O que você decide?”

Duque de Verona / Aluno – fb.com/textualizando

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