Universos Paralelos

Ato um.

A escada rolante desliza suavemente sob meus pés. Eu observo.
O mundo passa, sem que eu tenha que sair do lugar.
Vou tentando guardar ao menos um detalhe de cada um dos milhares de rostos, sem nome, endereço ou telefone, que passam por mim. Incapaz que sou me entristeço sabendo que esses são apenas rostos dos quais não me lembrarei amanha.
Elas passam e não me veem.
Eu as vejo mas não as guardo.
Todas elas são minhas almas gêmeas em potencial, cada uma delas. Como saberei se seria aquele primeiro ou o segundo, ou quem sabe o último a passar? Pois naquele único momento fugaz nossos olhares não se encontraram e por isso, essa simples fatalidade do destino, nós nunca saberemos. Minha alma gêmea é então apenas mais um rosto que passou por mim, pela escada rolante que vinha em sentido contrario ao meu, totalmente paralelo, sem nunca poder me encontrar.

Ato dois.

Nossos olhares se cruzaram. Eu vi. Você me viu.
Eu quis ir até você e te dizer o quanto eu sentia e se isso eu fizesse, então você me diria que sabia.
Mas eu não vou e você não vem, mas nós continuamos a nos ver. Vejo em você, vejo dentro de você e além.
Se por ventura estamos no mesmo lugar de uma maneira ou de outra nossos olhares sempre vão se encontrar no mesmo momento e essa faísca brilhará. É sempre assim, meu coração, seu coração, a disparar.
Ah o amor.
Você me puxa pra dançar, eu deslizo no pátio, que se transforma em um salão, todos ao redor se desfazem em fogos de artificil para o céu iluminar. Me faz feliz, sorrio, te olhar nos olhos, sentir teu braço na minha cintura e tua mão na minha mão, valsa a dançar. Girar, sorrir, girar entre o sorrir e o sorrir entre os girar. Isso tudo acontece em um único olhar.
Ninguém viu, ninguém mais sentiu, mas eu sei que tu sabe. Sabemos nós dessa fugaz visão.
Espero o momento de te dizer, esperando no seu rosto ver a expressão de cumplicidade do  “EU SEI!”
Acordo cedo e feliz, o grande dia chegou. Hoje iremos dançar e sorrir, sorrir e abraçar. Te direi com um toque o que já te disse com um olhar.
Enfim quando te vejo, oh meu deus que triste fim. Por ironia do destino, esse com vontade de rir de mim, me põe você em minha frente, outra à beijar, feliz assim.”

Aline Valéria Sousa – aline.valeria.sousa@gmail.com

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No embalo da rede

A rede é o nosso casulo e a nossa metáfora. É aconchegante, é simples, num balanço fácil, ora dá aquele frio na barriga, ora é só calmaria. Expulsa o tédio e embaraça os cabelos. E assim começa o meu ano. Eu não podia pensar em nada mais acolhedor e seguro. É tanto, que faz perder o fôlego, do jeito bom, aquele que você perde a respiração por trinta segundos, enquanto o coração salta na garganta e com os olhos fechados você viaja no perfume alheio e esquece que está vivo. É paralisia. É dormir nos braços o melhor sono que você pode se lembrar, é perder o olhar na esquina e já morrer de saudades.

Bruna Tassinari / aluna / brubstassinari@hotmail.com

Texto de Duque de Verona

Quem é você? Você é aquele(a) que agora me cumprimenta ou existe uma outra personalidade oculta?

O que você me deixa ver? Apenas seus olhos, um pouco da face… Mas e o outro lado?

Não acredito em simetria. Não, ela não existe. Os dois lados do rosto não são iguais, assim como as nossas personalidades também não são. Em um dia se acorda feliz, mas basta um acontecimento para que a outra personalidade assuma e de repente você já é outra pessoa, aquela que não era há 5 minutos.

E não se trata de transtorno bipolar. Somos assim. Somos inconstantes, diferentes, mutáveis. A monotonia não nos satisfaria. Quer dizer, tal-vez alguns se satisfaçam em fazer tudo sempre igual sempre.

Cabe a você decidir o que quer mostrar e a quem.

O que tenho visto muito por ai nos dias de hoje são pessoas que dizem estar sorrindo, mas por dentro estão tristes. Isso é apenas possível por que temos duas personalidades: a que mostramos e a que sentimos. Nós, como pessoas, somos o resultado da somatória das duas, vencendo a que for mais forte. E geralmente é a de dentro.

Mostrar ou não mostrar? Abrir ou não abrir? Em um mundo onde tudo é “vendível”, temos medo de nos abrirmos e acabarmos vendidos. Por outro lado, se não nos mostrarmos acabamos “rendidos” pela própria solidão.

O que você decide?

Duque de Verona / Aluno – fb.com/textualizando