Os dez segundos

Quem dera eu, o depois saber
Do saber, sei somente que sou
Pequeno
Mínimo
ínfimo
As borboletas sucumbiram
Nunca se adaptaram a gaiolas.
Amor(te) é sempre solitária
que não nasce sozinho, mas se vive
Quem dera eu, ter vivido
Os que ao teu redor, vivem
de perto
usufruindo
Em águas inquietas, outrora tranquilas
o que me detém é o teu mar
o vulto do entreolhar
dos teus olhos castanhos,
quase negros
em um indo e vindo,
que se assemelha ao infinito
que dura, pouco menos de dez segundos finitos
dos quais,
queria que durassem
uma eternidade.

Camylla Gonçalves Cantanheide
ccantanheide.tumblr.com

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Qual é a altura do céu?

Me diz Aurora, por que hoje você é dia e amanhã você é noite?
Por que de alma é toda minha mas de corpo é toda de todos?
Eu não compreendo as ausências de posicionamentos, a ausência de decisões que durem mais do que uma só garrafa de
vinho, eu não…
Só ainda não percebi que sua ideologia é o tudo e nada? O agora e depois? O certo e o errado ?
Talvez isso explique porque ao te beijar o seu corpo ressoa um misto de amor e medo,
Os meus lábios sôfregos percorrem-no por inteiro , luta inconstante entre eles e a sua pele para saber quem és de fato,
mulher ou louca, as duas e nenhuma, nós dois sabemos que as marcas são a prova desse embate para ter quem não se
tem, mas que quer ser tida.
Não estou a reclamar, só não me apetece o modo como que você se enrola com a coberta inteira e me deixa no canto, nu
e exausto.
E eu aqui no escuro do seu quarto a decifrar esse nome que não é teu por nascença mas que te … Ah Aurora se soubesse
como é atormentador olhar o amanhecer e tentar decifrar o que você é e o céu esconde.
Tu amanheces todo dia Uma. Lá no alto cada dia um dia, cada dia o mesmo lugar nenhum. Eu aqui mais uma noite sem
dormir direito tão propenso à divagações.
Sei que ao acordar vai ralhar comigo, me cobrir de volta, cheirar meu cabelo e perguntar porque estou acordado.
Nada meu amor, apenas estive pensando qual a altura do céu, a altura em que amanheces, a altura que separa tu e o dia.

Joyce Alves Voltolini — joycevoltolini@gmail.com

Mimada Sofia

Ah Sofia,
quanta desconsideração,
quanta indelicadeza, Sofia,
quanta vaidade no coração.

Será mesmo coração?
Já foi “de core”, agora é decore.
Decore Kant, decore Marx,
decore Nietzsche…

Ah Sofia,
te mimaram quando te decoraram de Grega,
mas aqueles que a fizeram foi tentando imitar.
Imitar os que filosofavam sem precisar decorar.

Henrique Ferrari — henrique_ferrari16@hotmail.com

Devaneio Veraneio

Os rios azulados que
Correm através da sua pele
O pontilhismo meticuloso
Em sua face ressalta
A mais bela palidez

Delicadeza imensa
Em cada ato, em cada fala
Charme infalível

Liberdade pulsante
Como a de um pássaro
Cortando o céu em dois

Olhar de desconstruir preceitos
De borboletear estômagos
Inteiro, sem nenhum defeito

Toque de ternura
Cura onde se aproxima
Tornando esta, tua sina
Tornando esta, minha nicotina.

Itamar Spira — blogdoitamario.blogspot.com.br