Gripado

O coração está sempre acelerado.
O olhar está sempre faminto.
Os braços sempre abertos.
A boca leva algum cuidado.
A maquiagem é exagerada. Quase que como uma criança em seu primeiro contato com pinturas.
O nariz é vermelho. Como uma pessoa com gripe.
Este corpo tenta -inutilmente- traduzir o que passa
Dentro do Nariz Vermelho.

Magia para uns, verdade para outros.
Um problemão que te ajuda a se esquecer de outros problemões.
Uma falta preenchida com um som de uma gargalhada.
O sorriso inocente de quem já não tem tantos motivos pra sorrir assim.
A vida. Pulsante. Na ponta de um nariz vermelho de sangue…
De amor.

Não é só sobre dar, é sobre multiplicar
Até não caber em você.
Até o mundo ficar mais cheio de cor.
Estão todos gripados
Doentes, contaminados Com vírus do calor, da paz e da esperança
Contaminados com o amor, o sorriso e o olhar de uma criança.

Beatriz Zago / bzm_96@hotmail.com

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Verbete “amor”, década de 10

Um dia um fio de ternura passou por mim
Calou o firo
E resolveu que nunca mais minha espinha
-Cheia de manias
Seria rinha de desilusões
Autocomiseração?
Não, regime! Nunca mais comilança de cora-ções!
Agora, só porções pequenas (gourmet!)
Vindas de food truck
Feitas por máquinas
E degustadas já no estômago
Chega de tanto sol nos meus poros
Agora só ton-I-ficação!

Eduardo Couto / educouto2@hotmail.com

No embalo da rede

A rede é o nosso casulo e a nossa metáfora. É aconchegante, é simples, num balanço fácil, ora dá aquele frio na barriga, ora é só calmaria. Expulsa o tédio e embaraça os cabelos. E assim começa o meu ano. Eu não podia pensar em nada mais acolhedor e seguro. É tanto, que faz perder o fôlego, do jeito bom, aquele que você perde a respiração por trinta segundos, enquanto o coração salta na garganta e com os olhos fechados você viaja no perfume alheio e esquece que está vivo. É paralisia. É dormir nos braços o melhor sono que você pode se lembrar, é perder o olhar na esquina e já morrer de saudades.

Bruna Tassinari / aluna / brubstassinari@hotmail.com